O Ego e a verdadeira Paz

Imagem: Pinterest - Witchcraft Spells Magick


 

A História mostra-nos que tratados não bastam, que a violência reaparece onde as mágoas nunca foram resolvidas. O inimigo que sabota cada tentativa de reconciliação, silenciosamente, é o ego.

O ego é basicamente a nossa personalidade. É ele quem julga as pessoas ao nosso redor conforme os nossos interesses e experiências pessoais. É aquela voz interna que indica o que é bom e mau. É também responsável por preconceitos e aceitações.

O impulso visceral vem do ego. É ele que alimenta o nosso instinto de sobrevivência. Ao impor-se e tentar defender-se, é ele que entrará em ação. Para nos salvar da vergonha, do bullying, de exposições, será ele quem irá entrar em ação e irá ativar todo o nosso mecanismo de defesa.

O ego quer sempre vencer, transforma tudo em cerimónias administrativas – locais luxuosos, fotografias e, isto é só maquilhagem. Quantos destes processos curam, de facto, a Humanidade?

Tudo à nossa volta nos distrai – a tecnologia, a economia, a política... E continuamos a tropeçar sempre na mesma pedra. É uma história interminável.

Mas tudo isto deve-nos lembrar que a liderança não é um espetáculo. É pura responsabilidade. E esta responsabilidade não pertence somente aos que ocupam o poder mas sim a todos nós. Pois nós lideramos a nossa vida, as relações, o impacto que criamos nos outros. E continuamos a ignorar o básico: tudo começa dentro de nós.

A paz não é uma consequência do mundo ao nosso redor, mas da ordem interior. Aquietarmo-nos por dentro é o passo que falta para o resto fazer sentido.

A paz exige escolhas que o ego não faria. O ego quer sempre ter razão, quer vencer, ser visto, quer validação externa, poder e controlo.

Quando deixamos que o ego dite as nossas ações, a nossa mente torna-se inquieta, e a paz interior torna-se difícil de alcançar.

A paz interior surge quando desenvolvemos autoconhecimento: a capacidade de entender as nossas emoções, motivações e padrões de comportamento. Ao conhecermo-nos, conseguimos separar o que é essência daquilo que é supérfluo ou imposto socialmente, reduzindo conflitos internos e externos.

O autoconhecimento é a chave para a verdadeira liberdade emocional e espiritual.

Mas, em muitas sociedades, em que o medo é utilizado como ferramenta de controlo, nem que seja de uma forma subliminar, o autoconhecimento representa uma ameaça, pois as pessoas tornam-se menos manipuláveis, a mente fica mais centrada, consciente e autónoma. O sistema não quer pessoas que questionem mas que sigam as regras sem as por em causa.

Portanto, este autoconhecimento não é benéfico mas sim um ato subversivo em sociedades ditas controladoras (nem que seja subliminarmente). Sentem-se desafiadas, desafia as estruturas que se sustentam pela ignorância ou pelo medo coletivo. É melhor ficarmos no lema “pão, futebol e família” do que questionarmos profundamente a nossa vida – assim a sociedade está ocupada, entretida e conformada. E continuamos manipulados.

Assim, o ego sem autoconhecimento alimenta a ansiedade e o medo, enquanto que a paz interior só se alcança quando nos conhecemos profundamente.

Então, devemos ver o autoconhecimento como o antídoto que nos leva a questionar, que nos leva a desenvolver uma consciência ética e emocional. É o antídoto contra os conflitos.

Então a paz interior é o caminho para um mundo sem conflitos. A paz nasce no coração de cada ser humano. E quando percebemos isso, há menos espaço para o ódio, a intolerância ou o conflito.

Só quando olharmos para dentro, reconhecermos as nossas fragilidades, confrontarmos o nosso ego e abrimos espaço para a compaixão é que conseguiremos interromper ciclos de agressão e violência que tantos conflitos trazem consigo.

O próprio Papa Francisco recorda-nos que muitas vezes não nos conhecemos verdadeiramente porque nos escondemos atrás de máscaras, inclusive quando nos olhamos ao espelho – e que esse autoconhecimento interior exige paciência, silêncio e coragem para enfrentar quem somos, sem falsas aparências. (“Pope at Audience: Prayer, self-knowledge enable us to grow in freedom“ - 2022. Vatican News) Ainda refere que a paz deve ser semeada no coração.

Portanto, é essencial que olhemos para nós mesmos com os verdadeiros olhos da Alma – por mais desconfortável que isso possa ser – porque só quando sairmos da tirania da mente e caminharmos para o entendimento do nosso coração é que alcançaremos a verdadeira paz – no nosso interior, nas nossas relações e, por fim, na sociedade e no mundo inteiro.

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