Entre Lamentações e o Carro: quando a vida pede uma nova direção

Imagem: Pinterest

 Durante muito tempo acreditei que bastava continuar a trabalhar, acreditar, persistir. Que se mantivesse o foco, a dedicação e o amor pelo que faço, os resultados acabariam por aparecer.

Mas houve um momento em que algo mudou.

Desde 2020 comecei a sentir que a energia deixou de fluir da mesma forma. Houve altos e baixos, momentos de esperança e outros de grande cansaço. Clientes que deixaram de aparecer, projetos que não avançaram como imaginava, sonhos que ficaram suspensos no ar.

Depois de 10 anos a construir uma marca, a desenvolver trabalho em Yoga, terapias holísticas, coaching e constelações familiares, comecei a fazer uma pergunta difícil:

E se o problema não for falta de esforço?

Talvez seja apenas o fim de um ciclo.

Recentemente, numa sessão terapêutica, saíram duas cartas do tarot das Lobas: o Valete de Paus e o Carro.

O Valete de Paus fala de curiosidade, de uma chama interior que quer explorar novos caminhos. De voltar a ser aprendiz. De aceitar que ainda há muito para descobrir.

O Carro, por outro lado, fala de direção. De assumir as rédeas da própria vida e escolher conscientemente para onde queremos ir. Mas terei de abandonar a culpa e a vergonha.

Curiosamente, neste mesmo período tomei uma decisão importante: começar uma pós-graduação em psicologia analítica, a abordagem criada por Carl Gustav Jung.

Quando olho para trás, percebo que talvez este movimento não seja uma fuga, mas uma evolução natural. Depois de muitos anos a trabalhar com o corpo, com a energia e com processos terapêuticos, surgiu em mim a vontade de aprofundar o trabalho com a psique, com os símbolos, com o inconsciente.

Mesmo assim, o cansaço continua presente.

Há momentos em que me identifico profundamente com o tom do Livro das Lamentações na Bíblia. Pedi a Deus uma mensagem e ele deu-me esta! Um texto antigo que fala da dor, da perda e da sensação de que tudo aquilo que parecia sólido pode desmoronar.

Às vezes a vida parece mesmo assim: um território onde caminhamos durante anos e, de repente, percebemos que o mapa já não serve.

E talvez o mais difícil seja admitir isso.

Porque quando investimos tanto tempo, tanta energia e tanta identidade num projeto, reconhecer que algo precisa mudar pode parecer um fracasso.

Mas talvez não seja.

Talvez seja apenas a vida a pedir crescimento.

Talvez seja o momento em que deixamos de conduzir pela força da vontade e começamos a escutar algo mais profundo dentro de nós.

Hoje não tenho todas as respostas.

Ainda há dias em que me sinto parada. Dias em que a dúvida aparece. Dias em que me pergunto se fiz as escolhas certas.

Mas também há uma pequena sensação de movimento interior.

Como se algo estivesse lentamente a reorganizar-se.

Talvez este seja apenas o início de um novo caminho.

E talvez, se estás a ler isto e te identificas com estas palavras, também estejas exatamente nesse lugar: entre o cansaço do que já foi e a curiosidade pelo que ainda pode vir.

Se for esse o caso, talvez não estejas perdida.

Talvez estejas apenas em transição.

E, deixando aqui uma última reflexão, o desenvolvimento pessoal e o autoconhecimento não são caminhos maravilhosos, pois somos confrontadas com muitas sombras e dúvidas mas entendo que para sairmos da estagnação é um movimento necessário à nossa evolução.

"Louvem o Senhor, porque Ele é bom, porque o Seu amor é eterno."


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